Percografias

Fotos por: Vitória Carvalho

Integrando a programação da Ocupação Ecos da Diáspora na Casa do Benin, o grupo de pesquisa Percografias (PPGAV – EBA) propôs um encontro com o coreógrafo, professor e pesquisador Clyde Morgan em torno do histórico espetáculo Por que Oxalá Usa Ekodidé, criado em 1973 a partir do conto de Mestre Didi. O encontro reuniu estudantes, pesquisadoras e artistas de diferentes gerações em uma tarde marcada pela partilha de memórias ligadas à dança afro, às religiosidades afro-brasileiras e às relações entre corpo, ancestralidade e criação artística.

Figura fundamental para a história da dança na Bahia, Clyde Morgan compartilhou relatos sobre os processos de criação do espetáculo e sobre sua experiência junto à Escola de Dança da UFBA, destacando as pesquisas desenvolvidas com terreiros, músicos e comunidades afro-brasileiras na construção de uma linguagem coreográfica conectada às matrizes africanas presentes na Bahia. A conversa evidenciou a importância histórica de Por que Oxalá Usa Ekodidé como marco na afirmação estética e política das culturas negras no campo das artes cênicas brasileiras.

O encontro também reafirmou a centralidade do diálogo intergeracional como metodologia de pesquisa, criação e transmissão de conhecimento no âmbito das práticas artísticas afro-diaspóricas. A presença de Clyde Morgan, em interlocução com artistas, pesquisadoras e estudantes de diferentes gerações, possibilitou a circulação de experiências, memórias e perspectivas críticas que dificilmente poderiam ser acessadas apenas por meio dos arquivos institucionais ou bibliográficos. Nesse sentido, a conversa consolidou-se como um espaço de produção de conhecimento situado, atravessado pela oralidade, pela experiência e pela continuidade histórica entre corpos, práticas e territórios.