
Portia Cobb é membro da equipe executora do projeto Ecos Africanos, e se define como “uma artista interdisciplinar que utiliza meios baseados no tempo (vídeo digital, gravações de campo e fotografia com celular). Sua inspiração vem da história pessoal e coletiva, das noções de esquecimento forçado e de memória reconstruída, da contemplação de espaços efêmeros e temporais. Seu trabalho usa e por vezes recusa a etnografia. Seus vídeos de curta duração incorporam performances em tempo real com a participação do público em uma experência expandida de cinema.”
Sua residência criativa na Bahia foi realizada entre os dias 1 e 15 de junho de 2025, em Salvador, Cachoeira e São Felix, e contou com o financiamento da FAPESB e a coordenação da Prof. Dr. Paola Barreto. O plano de trabalho teve como eixo central a articulação entre práticas de criação artística, reparação histórica e políticas da memória em contextos afro-diaspóricos.
A programação foi construída de maneira colaborativa pelo Grupo de Pesquisa UFBA CNPq Balaio Fantasma, reunindo atividades acadêmicas, pedagógicas, visitas de campo, encontros comunitários e experiências rituais em diferentes territórios da Bahia. Ao longo de duas semanas, a residência promoveu trocas entre pesquisadores, artistas, estudantes, comunidades tradicionais, mestres de saberes e agentes culturais ligados às questões da memória afro-atlântica.
A programação foi iniciada com a oferenda de um presente para as Yabás na Lagoa do Abaeté, como uma abertura de caminhos e pedido de licença ancestral para o começo dos trabalhos.









As atividades desenvolvidas ao longo da primeira semana foam organizadas em torno do workshop “Water as ancestry – shared experiences through time and space”, realizado no IHAC – Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos com estudantes da Escola de Belas Artes da UFBA e do Bacharelado Interdisciplinar em Artes. O workshop articulou debates teóricos, leituras compartilhadas, experimentações artísticas e deslocamentos por espaços históricos e culturais da cidade, refletindo sobre o papel da arte na construção e transmissão de memórias afro-diaspóricas. Esse format o permitiu a troca de experiências como eixo metodológico da residência, determinando não apenas a centralidade da convidada, mas sua relação com artistas locais.
O programa incluiu uma master class na componente curricular “Ação e Mediação Cultural Através das Artes”, ministrada pela Prof. Dr. Paola Barreto no IHAC/UFBA, na qual Portia Cobb apresentou aspectos da cultura Gullah Geeche e práticas ancestrais afro-diaspóricas observadas na Carolina do Sul, estabelecendo aproximações entre experiências afro-atlânticas no Brasil e nos Estados Unidos.





Como parte da imersão territorial proposta pela residência, foram realizadas visitas ao Acervo da Laje, ao ateliê do artista José Adário, às comunidades pesqueiras em Itapuã, além de encontros com lideranças e referências culturais afro-baianas.

















Na segunda semana da residência, as atividades se deslocaram para a cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, ampliando o diálogo entre arte, território, memória e espiritualidade. A programação envolveu a participação no Festival Cachoeira Doc e a visita ao Quilombo Engenho da Ponte, além da realização da performance Performing Grace desenvolvida como obra comissionada para o Festival.
Ao articular universidade, territórios tradicionais, práticas artísticas e experiências comunitárias, a residência consolidou-se como um espaço de intercâmbio transatlântico e de reflexão crítica sobre ancestralidade, memória e formas contemporâneas de criação audiovisual e transmissão de saberes afro-diaspóricos.









