Residência Dra. Rossila Goussanou – 03 a 10/ Novembro/ 2024

A professora Dra. Rossila Goussanou, da Universidade de Nantes, realizou uma residência de uma semana em Salvador, com o apoio da FAU-UFBA, do Consulado da França no Brasil e da FAPESB, por meio do projeto Ecos Africanos.
Durante sua residência, ela ministrou um workshop aberto à comunidade, baseado em seu trabalho de pesquisa, curadoria e atividades multidisciplinares. Sua investigação centra-se em locais de memória dedicados à história da escravatura nos três continentes em questão, explorando as questões formais, narrativas, políticas e memoriais desses espaços. Desde 2020, sua pesquisa tem se concentrado nos museus e em suas transformações, analisando como essas instituições, herdeiras de práticas coloniais, evoluem intelectual e materialmente, adaptando-se às expectativas contemporâneas de restituição, justiça e equidade. Seu trabalho também questiona o futuro dessas instituições, considerando práticas museológicas descolonizadas e prospectivas.
O seminário buscou questionar os museus sob diferentes perspectivas: suas coleções, sua herança colonial e seu papel nas dinâmicas contemporâneas de transmissão da memória e da justiça espacial. A proposta foi desenvolver uma abordagem que se situe na intersecção entre teoria e prática, abrindo reflexões sobre o papel político dos museus e sua transformação futura, abordando questões como a restituição de objetos, o patrimônio e como a arte pode reinventar narrativas históricas e culturais. A oficina procurou compreender os museus tanto como lugares de memória e história quanto como plataformas para futuros possíveis.


A atividade foi realizada em parceria com o Seminário de História(s) da Arte, coordenado pela professora Paola Barreto (PPGAV-EBA-UFBA), e destinou-se a estudantes de pós-graduação em artes visuais, museologia, arquitetura e estudos afro-orientais. Com capacidade máxima para 20 participantes, o workshop proporcionou um ambiente de trocas aprofundadas e interativas.
Entre os temas abordados no seminário estavam:
- Arte e política: como a arte pode questionar estruturas de poder e de memória nos museus;
- Papel dos artistas: sua contribuição para a transformação das instituições museológicas;
- Patrimônio e objetos, acumulação e restituição: a importância das coleções, especialmente em contextos africanos, e como esses objetos podem representar conexões históricas e políticas entre passado e presente;
- Justiça espacial: maneiras pelas quais os museus podem se tornar espaços de reconciliação e justiça, reinterpretando suas exposições e coleções sob uma perspectiva decolonial.

Estrutura do seminário:
Encontro 1 – 06.11 – 17h30 – EBA
O primeiro encontro proporcionou uma oportunidade para os participantes conhecerem autores e iniciarem reflexões a partir de leituras compartilhadas. A professora apresentou seu percurso, destacando a interdisciplinaridade de sua pesquisa, que vai desde projetos memoriais nacionais até museus, exposições e museografias. Um exercício de levantamento literário em torno de dois artigos permitiu criar pontes entre as reflexões pessoais dos alunos e os temas abordados. Os participantes foram convidados a trazer um objeto ou imagem que representasse sua investigação ou ligação pessoal com o patrimônio, criando um ambiente propício ao intercâmbio.
Encontro 2 – 07.11 – 13h30 – MAFRO
O segundo encontro examinou questões de decolonização e restituição, em conexão com desafios contemporâneos dos museus e das diásporas africanas. O workshop abordou a relação entre objetos, história africana e afro-brasileira e histórias de memória contemporâneas. Discutiu-se o papel dos museus na reescrita de narrativas coloniais e seu potencial para criar pontes culturais e políticas entre a África e o Brasil. Um intercâmbio com intervenientes locais trouxe uma dimensão prática às reflexões desenvolvidas.


Encontro 3 – 08.11 – 10h – Sala 201, Prédio Novo IHAC
O último encontro adotou uma abordagem pedagógica participativa, inspirada no conceito “Cada um ensina um”, incentivando trocas horizontais e a coconstrução de conhecimento. A visita ao MAFRO e à Casa do Benin ampliou as discussões, convidando os alunos a relacionarem sua própria herança familiar com as histórias contemporâneas dos museus. Essas visitas deram origem a projetos artísticos e reflexivos apresentados ao final do seminário.


