Residência Lylly Houngnihin – 27 de Julho a 25 de Agosto de 2025

Noudeou Noëlie Houngnihin, também conhecida como Lylly Houngnihin é produtora, especialista em articulação e implementação de políticas públicas, encenadora e curadora beninense, diretora da Totemafrikaraibes, em suas palavras “um laboratório de pesquisa crítica, criação contemporânea e engenharia das indústrias culturais e criativas.”
Baseada em Cotonou e articulando redes da costa oeste africana entre Benin, Europa e Haiti, Lylly tornou-se parceira do Projeto Ecos Africanos ainda em seu estágio embrionário, em 2023, através de uma convenção assinada entre a Coordenadora Paola Barreto, da UFBA, e a Laboratorio Arts Contemporains, empresa que então representava Lylly.
Desta parceria nasceu a proposta de participação de Paola Barreto, como artista residente, na II Bienal de Ouidah, no Benin, em agosto de 2024. Em agosto de 2025, em reciprocidade, Paola convidou Lylly, através do projeto Ecos Africanos, para participar da residência Ecos da Diáspora, na Bahia. Durante quatro semanas, entre Salvador e Cachoeira, criou-se um espaço de pesquisa e convivência em torno do patrimônio material e imaterial associado ao projeto das Casas do Benin (em Salvador) e do Brasil (em Ouidah), destacando o vínculo histórico e espiritual entre os dois territórios e valorizando os elementos de reconexão desse patrimônio entre as cidades baianas e as comunidades de terreiros Jeje e Nagô.


Lylly Houngnihin foi nossa convidada para esta viagem por diferentes territórios culturais da Bahia, entre ateliês de artistas, espaços sagrados, comunidades tradicionais e lugares de memória. A residência foi construída a partir desses encontros, abrindo caminhos para reconhecer continuidades, transformações e ressonâncias entre Brasil e Benin.
A primeira semana de trabalho esteve diretamente relacionada à abertura da exposição “Mãos Negras, Memórias Tecidas”, na Galeria Pierre Verger da Casa do Benin. Lylly trouxe um conjunto de materiais provenientes de diferentes contextos culturais da África Ocidental, entre peças rituais, têxteis, objetos divinatórios e insígnias de circulação e poder. A partir do diálogo entre esses objetos e a coleção de longa duração da Casa do Benin, o espaço expositivo foi reconfigurado em co-curadoria com Paola Barreto. Novas aproximações entre as peças alteraram sua disposição e seus sentidos, ativando histórias e energias até então adormecidas na Casa. Esse processo foi compartilhado com o público em uma visita guiada.




Ao longo da segunda semana de residência, Lylly participou de rodas de conversa, projeções de filmes e atividades gastronômicas e culturais na Casa do Benin, em Salvador. Entre esses encontros destacam-se os momentos com as Ganhadeiras de Itapuã e Vó Cici de Oxalá, além das trocas com as demais residentes, a Prof. Blandine Agbaka e a designer Nadia Adanle.



A Festa do Inhame marcou um momento importante desse percurso. Lylly é de Savalou, e a celebração permitiu reconhecer conexões entre os calendários culturais da Bahia e do Benin. Para a ocasião, ela preparou para nós inhame pilado com molho de amendoim, comida ritual das divindades mahi.



Na terceira semana de residência partimos para a cidade de Cachoeira, onde Lylly ofereceu uma conferência sobre a história da arte vodun e promoveu uma sessão do filme “Sua Majestade dos Mares e Oceanos” no Cine Teatro Cachoeirano. Além da Irmandade da Boa Morte, visitamos o Quilombo Engenho da Ponte e o Terreiro Zógbódó Màlé Seja Húnde – Roça do Ventura, onde fomos recebidos por Buda de Bobosa. A presença da ancestralidade mahi nesses lugares produziu momentos de reconhecimento e emoção.


Todas as atividades contaram com a interlocução de estudantes de graduação e pós-graduação e de artistas e lideranças locais. Durante sua permanência em Salvador, Lylly ficou hospedada na casa do artista Kleyson Assis, no Santo Antônio Além do Carmo, integrando também essa vivência de bairro à sua experiência na cidade.
Impactos da Residência
- Valorização da arte como linguagem de resistência, memória e pertencimento
- Fortalecimento dos vínculos comunitários e incentivo à expressão coletiva das identidades afro-diaspóricas
- Intercâmbios interculturais entre Brasil e Benin, favorecendo a aprendizagem mútua e o reconhecimento das heranças afro-diaspóricas
- Inclusão e valorização dos protagonistas negros


