Esta proposta integra a realização de um conjunto de atividades como diferentes residentes, promovendo o intercâmbio comunitário, educativo, cultural e artístico entre as culturas do Benin e da Bahia durante 8 semanas de programação.
A proposta dá continuidade ao projeto “Fantasmagorias Dahomeanas”, que ocupou a Casa do Benin com uma programação variada entre Novembro e Dezembro de 2022. O programa de então foi composto por mostra de filmes, exposição de artistas baseados na Bahia, oficina de dança, rodas de conversas com artistas, pesquisadores e mestres do saber, em uma gama de atividades integradas que se conjugaram para discutir relações entre arte e território.
Visando a expansão desta ocupação artística e cultural realizada há dois anos, e buscando aprofundar as parcerias e cooperações internacionais que foram sendo construídas desde então, planejamos a programação Ecos da Diáspora em 2025 com o mesmo caráter abrangente, mas incluindo desta vez a Resideência de cinco convidadas do Benin, com diferentes perfis, entre artistas, pesquisadoras e empreendedoras; além de um convidado da Nigéria e 1 da Alemanha, valorizando o protagonismo de mulheres negras, em diálogo com artistas da cidade.
Considerando os fluxos e refluxos de pessoas, práticas, divindades e memórias que conectam as costas atlânticas, a proposta não apenas retoma tradições, mas investe sobretudo em um diálogo com a contemporaneidade e as questões que a diáspora africana reverbera lá e cá, hoje. O contexto de repatriação de tesouros saqueados durante a ocupação colonial e o protagonismo que as artes e curadorias afro diaspóricas têm assumido no plano institucional dos sistemas de arte, no Brasil e no mundo, fizeram parte das discussões abordadas no programa.
Inicialmente o projeto aprovado foi estruturado em torno da vinda de Lylly Houngnihin, destora cultural e executiva da Bienal de Ouidah, com quem temos termo de cooperação assinado para o biênio 2023-2025. No entanto, no desenvolver do ano de 2024, compreendemos que o projeto engloba a relação com uma diversidade de sujeitos e instituições, do Benin e de outros territórios africanos e da diáspora, e ampliamos a perspectiva de trocas interculturais, expandindo o número de convidadas internacionais que recebemos em Salvador, bem como a gama de atividades propostas dentro do Programa Internacional de Residências Artísticas e Científicas Dr. Fantasma. Foi assim que recebemos, além de Lylly, a Professora Blandine Agbaka, Chefe do Departamento de Artes Visuais da Universidade de Abomey-Calavi, Nadia Adanlé, empresária do ramo têxtil e designer de moda, e as artistas Sika da Silveira e Drusille Fagnibo. Além desse grupo de mulheres beninenses, o artista nigeriano Oluseye também participou do projeto, criando uma obra comissionada para a exposição “Habitar a Travessia”, que ocupou o primeiro andar da Casa do Benin.
A metodologia para o desenvolvimento dessa pesquisa foi sendo refinada ao longo de 2024, e baseou-se no intercâmbio cultural como estratégia de escrevivência, promovendo encontros, diálogos, espelhamentos e modos de reverberação que tornaram significativos e experienciáveis teorias e conceitos sobre a diáspora africana e suas complexidades.
Através de parcerias estabelecidas com o projeto Ecos Africanos, coordenado pela proponente e parcialmente financiado pela FAPESB, foi possível convidar pesquisadoras e artistas internacionais, como a franco-beninense Rossila Goussanou em novembro de 2024 e a norte americana Portia Cobb, em junho de 2025, antes de realizar o Ecos da Diáspora em Agosto de 2025. Receber cada uma destas convidadas em Salvador foi uma espécie de preparação para a grande tarefa da Ocupação da Casa do Benin em agosto, envolvendo parcerias com instituições internacionais, como a Université de Nantes, e locais como o Festival de Cinema Cachoeira Doc e a UFRB. Com Portia estendemos a área de atuação do projeto até o Recôncavo, em um ensaio do programa que realizarímos em agosto com as convidadas do Benin, e amadurecemos as habilidades do grupo para a interação em inglês e francês.
A articulação entre a participação ativa dos bolsistas de graduação – Tassia de Matos (PAEX) Andressa Batista (Pibiex) e Tauan Carvalho (Pibiex) e os orientandos de Pós Graduação Kleyson Assis (Doutorado PPGAV) Rodrigo Carvalho (Mestrado PPGAV) foi outro elemento importante na metodologia de trabalho.
Igualmente importante como metodologia foi o aproveitamento da componente curricular HACA49 Ação e Mediação Cultural Através das Artes como uma espécie de Laboratório para o desenvolvimento de atividades de mediação da Ocupação.

