Escutar o Paraguaçu

Prezadas/es/os integrantes do Grupo de Pesquisa Balaio Fantasma,

É com grande satisfação que as/es/os convidamos para participar das interlocuções com o grupo de artistas residentes do Programa de Residência Artística Escutar o Paraguassu, que ocorrerão durante a Mostra de Processos, de 16 a 21 de setembro de 2024.

A Plataforma Guará realiza o Programa de Residência Artística Escutar o Paraguassu, que ocorrerá, em sua primeira edição, entre os dias 06 e 22 de setembro de 2024, na cidade de Cachoeira (BA). O Programa tem como objetivo incentivar a criação artística a partir de uma escuta atenta e ampliada do rio Paraguassu. Para isso, desejamos promover encontros entre artistas, pesquisadores, lideranças quilombolas e instituições ambientais, focando nas lutas socioambientais da região do estuário do rio. Nesta edição, foram selecionadas seis propostas de pesquisa e criação de artistas do Nordeste do Brasil, com diferentes formas de expressão artística.

O Paraguassu nasce na Chapada Diamantina e conflui inúmeras comunidades multiespécies até desaguar na Baía de Todos os Santos. Trava embates, sobretudo na região estuarina, contra grandes empreendimentos humanos, como a indústria da celulose e os setores hidrelétrico e petroleiro, que ignoram seus arranjos de existência. Esses empreendimentos, operando sob a lógica do capitalismo global e do racismo ambiental, impulsionam a máquina extrativista e expropriam territórios tradicionalmente ocupados, tratando o Paraguassu apenas como “recurso hídrico”, “energia” ou “irrigação”.

Por outro lado, as comunidades quilombolas e tradicionais da Baía do Iguape mantêm a sociobiodiversidade local através de práticas e formas de relação ancestrais, resultando na preservação da maior área de Mata Atlântica na região da Baía de Todos os Santos. Desde 2000, essa área também é protegida pela unidade de conservação federal, a Reserva Extrativista Marinha da Baía do Iguape, gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e por um Conselho Deliberativo de maioria extrativista.

Diante disso, propomos desenvolver formas de escuta e composição com o Paraguassu, a fim de fortalecer vínculos e associações que considerem a complexidade e a multiplicidade de existências que envolvem e são envolvidas pelo rio. Buscamos, portanto, estabelecer um primeiro campo de formação de alianças entre a produção artística contemporânea da região Nordeste e as lutas socioambientais locais.

Compreendemos as alianças enquanto uma estratégia coletiva e uma possibilidade de falar desde o lugar enfocado, compreendendo que essas alianças podem se dar a partir de lugares e perspectivas que não pretendem se igualar, mas estabelecer meios de cooperação e ação conjunta.

As atividades de interlocução que ocorrerão entre os dias 16 e 21 de setembro serão dedicadas à apresentação das pesquisas desenvolvidas pelas/os artistas Alex Oliveira, Bárbara Manuela Silva, Marcos da Matta, Mariana Isla, Railane Raio e Raoms Soares ao longo da residência. Nesse sentido, estamos articulando, em colaboração com grupos e coletividades parceiras, encontros e atividades conjuntas, de forma a estreitar laços e compor a programação dessa semana.

Assim, gostaríamos muito de contar com a participação do grupo de pesquisa Balaio Fantasma nesta programação, e nos colocamos à disposição para pensar, em conjunto, no formato que melhor atenda às necessidades de todas/es/os.

Aguardamos a confirmação com grande expectativa e carinho.

Um abraço,

Equipe curatorial da 1ª edição do Programa de Residência Escutar o Paraguassu
Joyce Delfim, Selma Santos, Lucas Lago e Lucas Feres

publicado
Categorizado como Sem categoria