


A participação do Grupo de Pesquisa Balaio Fantasma no Festival de Cinema CachoeiraDoc, na cidade de Cachoeira, Recôncavo Baiano, fortalece o intercâmbio entre pesquisa acadêmica e produção audiovisual contemporânea, reunindo frentes de atuação no campo do cinema, da arte e da reflexão crítica. Essa imersão integra as atividades desenvolvidas pelo grupo no âmbito da residência da artista afro-americana Portia Cobb, membro da equipe executora do projeto Ecos Africanos, no Programa Internacional de Residências Artísticas e Científicas (PIRAC) Balaio Fantasma.
A performance audiovisual Performing Grace, obra comissionada para o Ciclo de Performances “Infinitos Impossíveis”, sob a curadoria e coordenação de Matheus Araújo dos Santos, transforma a antiga Estação Ferroviária de Cachoeira em um espaço ritual, onde cinema e alimento convergem. Diante da tela — na qual são projetadas imagens de seu curta-metragem homônimo, mostrando as mãos de sua mãe debulhando ervilhas — encontra-se um cesto com mil quiabos. A artista convida o público a sentar-se em círculo e a compartilhar gestos, memórias e palavras.









No cerne da performance está o corte coletivo do quiabo, que funciona como arquivo e elemento de conexão entre comunidades da diáspora africana, como as da Carolina do Sul — de onde se origina a ancestralidade de Portia Cobb — e os povos do Recôncavo da Bahia, território onde a ação se desenrola. Por meio desse processo, o corpo negro torna-se legível como meio, e o cinema emerge como um espaço performativo no qual as imagens projetadas e as presenças na sala criam um campo de ressonâncias e temporalidades sobrepostas. O gesto de cortar o quiabo, herança cultural compartilhada, desencadeia conversas, memórias e intimidades, entrelaçando territórios e ancestralidades e convocando encontros transgeracionais e transnacionais, em ressonância com a noção de corpo-documento formulada por Beatriz Nascimento.









A proposta tem como público direto estudantes, pesquisadores, cineastas e profissionais da área audiovisual. De forma indireta, contempla o público geral do festival, comunidades locais interessadas em cinema e arte, além de professores e comunidade acadêmica.
A presença de Portia Cobb no CachoeiraDoc representa uma oportunidade singular de intercâmbio acadêmico e cultural, trazendo uma perspectiva internacional para o debate sobre cinema, arte e representatividade. A partir de um histórico de pesquisa e articulação em torno do audiovisual negro e da memória coletiva, o Balaio Fantasma alinha-se aos objetivos do festival de promover reflexões críticas e ações educativas. Nesse sentido, a parceria contribui para fortalecer os laços entre a universidade, cineastas e a comunidade, incentivando o diálogo e a pesquisa audiovisual entre Brasil e Estados Unidos.












