Basandja Coalition


Fotos por: Tempuh Carvalho

Conexão Kinshasa

No dia 21 de novembro de 2025, no contexto das programações vinculadas ao Novembro Negro em Salvador, o programa Ecos Africanos promoveu uma noite inesquecível no Cine Paredão do Museu de Arte Contemporânea da Bahia, em Salvador. Em parceria com o Balaio Fantasma recebemos na capital baiana o Basandja Coalition, coletivo da República Democrática do Congo, para a exibição de dois filmes atravessados pelas relações entre território, mineração, espiritualidade e resistência.

Foram apresentados os curtas Ambalotoko: Soul of the Peatlands e Lwanzo (Cobalt), dirigidos por Petna Ndaliko Katondolo, cineasta, ativista e fundador do movimento Ejo-Lobi — um “cinema da terra viva”, onde imagem, memória, ecologia e consciência espiritual caminham juntas. Nos filmes, o Congo emerge não como recurso a ser explorado, mas como organismo vivo, pulsante, atravessado por águas, minerais, florestas e saberes ancestrais.

A noite ganhou ainda outra dimensão quando a artista e pesquisadora Joviane Chanda Ayagirwe realizou uma performance inesperada e intensa, abrindo um campo sensível para a conversa que se seguiu. O debate reuniu o realizador Petna Ndaliko Katondolo, a mineradora tradicional Leance Tubangalie Kongo e o professor Bas’Ilele, da UNILAB, em uma reflexão poderosa sobre as falsas separações entre natureza e tecnologia, tradição e contemporaneidade, corpo e território.

Entre relatos, pensamentos e experiências vindas diretamente do Congo, discutimos como a arte pode transformar sensibilidades e produzir outras formas de imaginar o mundo diante das violências extrativistas que sustentam as desigualdades globais. Mais do que uma sessão de cinema, a noite tornou-se um espaço de escuta, partilha e conexão entre África e Brasil, onde o cinema operou como ritual, memória e cura.

A presença da Basandja Coalition em Salvador integrou a circulação internacional Basandja Brazil Tours 2025 e reafirmou a importância de construir redes de pensamento e criação entre artistas, pesquisadores, comunidades e movimentos comprometidos com outros futuros possíveis.

Nosso agradecimento especial ao MAC Bahia e à equipe do museu pela acolhida generosa, especialmente a Rodrigo Carvalho, assim como a todos que estiveram presentes e fizeram daquela noite um encontro tão vivo e necessário.

“Shine mu timba!” — A Terra está viva.