Atlânticas

Fluxos de memórias e conexões ancestrais 

Residência Drusille – 11/ Agosto/ 2025 a 25/ Agosto/ 2025

AZD (Andressa Lima Batista) 

ATLÂNTICAS: fluxos de memórias e conexões ancestrais foi uma ação artística coletiva que se inscreveu como gesto de travessia, encontro e memória. A proposta se materializou na criação de um mural coletivo por meio de uma intervenção artística participativa realizada no bairro de Valéria, em Salvador, integrando a programação da II Ocupação Artística e Cultural da Casa do Benin, promovida pela UFBA (Balaio Fantasma) em parceria com a UFRB (Áfricas nas Artes). 

A ação se desdobrou a partir de uma oficina criativa de três dias, conduzida pela artista beninense Drusille Fagnibo, convidada especial que esteve no Brasil entre os dias 11 e 25 de agosto. Durante esse período, os artistas, estudantes e moradores da comunidade (Alan do RAP, AZD, Ana Carolina, Driigo Dance, GOLD, Júlia Zogbi, Isabele Barbosa – ISA, LEE27, LEOPAPEL, Pablo Costa Pinto – INDIO, SUCK e Yaan Almeida) se reuniram em torno da arte urbana como linguagem de partilha, escuta e criação coletiva. 

ATLÂNTICAS nasceu do desejo de aproximar margens. Tomando como eixo simbólico a relação Bahia–Benin, a experiência se expandiu pelos imaginários do Atlântico Negro, convocando suas dimensões simbólicas, ambientais, culturais e afetivas. O mar foi evocado como metáfora de travessia e fluxo, território de memórias ancestrais e espaço de reencontro entre Salvador e Cotonou, Áfricas e Afro-diásporas. 

A condução da atividade esteve a cargo de Drusille Fagnibo, artista reconhecida por sua atuação no muralismo contemporâneo no Benin. Fluente em português e com parte de sua formação realizada no Brasil, Drusille compartilhou saberes, narrativas e práticas da arte urbana beninense, ao mesmo tempo em que construiu, junto ao grupo, caminhos possíveis para futuros intercâmbios entre artistas do Benin e do Brasil. 

A metodologia adotada privilegiou processos colaborativos, críticos e sensíveis, nos quais cada participante pôde inscrever suas experiências, afetos e repertórios visuais no mural. A coordenação de produção foi realizada pela artista Andressa Batista (AZD), estudante de Museologia da UFBA, em parceria com a produtora Letícia França, estudante de BI de Artes da UFBA, responsáveis pela articulação logística e pela execução do projeto. 

A oficina aconteceu entre os dias 12 e 15 de agosto de 2025, conforme cronograma da Ocupação da Casa do Benin. A realização do mural se deu em parceria com o Boca de Brasa, em Valéria, como contrapartida do projeto, respeitando as diretrizes de acessibilidade, visibilidade e segurança.

A escolha do espaço permitiu que a obra se conectasse tanto à Casa do Benin quanto à comunidade local, ampliando seus sentidos de pertencimento e circulação. 

Como desdobramento, ATLÂNTICAS fortaleceu a arte urbana como linguagem de resistência, memória e identidade; promoveu vínculos comunitários; estimulou a expressão coletiva de identidades dissidentes; e fomentou uma troca intercultural profunda entre Brasil e Benin, ancorada no reconhecimento das heranças afro-diaspóricas compartilhadas. 

A ação deixou como legado um mural coletivo permanente, aberto à fruição pública, ampliando a visibilidade das vozes, dos corpos e das histórias que atravessaram o projeto. 

Aqui o meu MUITO OBRIGADO a equipe que fez acontecer!

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