
Receber pessoas de outros países, como as francesas, a nossa querida Portia, como também a prata da casa que foram as Ganhadeiras de Itapuã e Vovó Cici No Ocupa Benin foi uma grande experiência. Mais do que isso, foi um encontro de mundos diferentes, onde a conexão foi intensa.
A cada encontro, como na Lagoa do Abaete, o nosso território se apresentou como um espaço vivo de cultura, tradição, religiosidade, memória e saber. Recebê-las é uma forma de afirmar que o conhecimento que nasce nas comunidades, em especial na minha comunidade de Itapuã, é extremamente valoroso, tem força, atravessa fronteiras e, em alguns momentos, nos reconecta com a nossa ancestralidade.
Como mestra do saber, acredito que o meu trabalho está fortalecendo o trânsito entre os espaços não formais de ensino, o território e as universidades, promovendo um diálogo entre tradição, cultura, religiosidade e artes.
No meu trabalho, enquanto pesquisadora e produtora de conhecimento, e fazendo parte do Balaio Fantasma/UFBA procuro o fortalecimento da Colônia de Pescadores em um espaço de saber e resistência, lutar contra ao apagamento, preservando a memória e afirmando a nossa identidade. Ao receber convidados em nosso território, percebo a importância desse movimento: vejo esse saber e essa vivência se transformarem em uma grande experiência.
Espero que isso seja respeitado e reconhecido por eles e também por nós. O que construímos aqui em Itapuã dialoga com o mundo, e não podemos perder as nossas raízes. É isso que nos mantém de pé.


























